PENSAMENTO

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer
entendimento." (Clarice Lispector)

sábado, 9 de junho de 2012

“RECEBA AS FLORES QUE LHE DOU, EM CADA FLOR UM BEIJO MEU...”



O dia dos namorados se aproxima e muitos casais que se dizem apaixonados e namorados preocupam-se em presentear o amado(a), principalmente em tempos de consumos exagerados regido pela lei do comércio capitalista e oportunista. Fico me perguntando será que o romance ainda está no ar? Na moda? Nos corações? Ou se acomodou nas prateleiras das lojas que exibem e propagam seus lindos e interessantes presentes para conquistar/reconquistar e encantar os namorados da “geração coisa”. Será que o sentimento “amor” ainda preserva a pureza e a sinceridade do passado? Daquela época em que oferecer uma rosa vermelha simplesmente, significava expressar o amor?

Quando olhamos para os casais namorados e “eternos namorados” de hoje, mesmo que para muitos o sentimento de paixão esteja escancarado, sentimos, na maioria das vezes, certa desconfiança de que os relacionamentos realmente estejam pautados nos valores sagrados do amor verdadeiro: Aquele amor sereno de companheirismo, de renúncia/doação, de harmonia, de respeito mútuo e entrega. Daquele amor que se derrama e chega ao ponto de dar a vida um pelo outro. Eu falo do amor evocado e cantado pelos poetas: “Amor vincit omnia” (o amor vence tudo) termo latino de autoria de Virgílio conhecido como um dos maiores poetas de Roma e expoente da literatura latina. Eu falo do amor pregado e vivido pelo maior pensador de todos os tempos: Jesus Cristo.

Como andam os relacionamentos amorosos? Será que os amantes se dão em plenitude? Problemas de relacionamentos, brigas, desavenças sempre existiram, mortes por “amor” também. Em nome do amor quantas barbáries foram e são cometidas diariamente, mas é com grande pesar que percebemos esses acontecimentos multiplicarem assustadoramente nos tempos atuais.

Assistimos quase todos os dias casais brigando, se odiando, se matando... Pior que isso, premeditando a morte do companheiro (a), esquartejando o companheiro... Como esse caso aterrorizante do executivo da Yoki Marcos Matsunaga, em que a assassina, Elize Araújo, sua mulher, confessa que matou o marido depois de uma discussão sobre a infidelidade dele.

Diante de um caso chocante como esse, ficam muitas interrogações no ar: o que acontece nos relacionamentos de hoje em dia? Quem é o agente causador? Como se formam os Psicopatas? Onde estão as deficiências? Na sociedade? Nas famílias? Na educação? Na falta de formação religiosa? Psicanalistas, especialistas na área criminal, estudiosos diversos, estão sempre tentando explicar... 

Comecei essa crônica chamando a atenção para o consumismo/capitalismo selvagem, o “Ter” coisas, comprar, comprar... Dar presentes, ganhar presentes... 

Não que eu seja contra em dar e ganhar presentes, é muito bom e até diria saudável, é uma forma de demonstração de afeto para com a pessoa amada. Quando acertamos, o presente agrada e “massageia o ego” do doador e do recebedor. O problema esta em tentar conquistar com presentes e no vício de receber, de se hipervalorizar o presente, o “ter” coisas, em detrimento do “ser” (quem deu). E assim os valores se invertem, e o ser humano passa também a ser número: “uma coisa”, e como tal, facilmente descartado, sem valor. E quando o “viciado em coisas”, não ganha, ou perde algo/alguém, ou se sente ameaçado, traído, prestes a perder, somado a uma formação deficitária, se enfurece e comete atrocidades. Seria essa uma dedução simplista? Um caminho para se começar a entender? 

Simples ou complexa as questões e dúvidas são muitas! Que possamos nesse fim de semana refletir junto com nossos companheiros(as), namorados(as) e perceber a beleza que existe em compartilhar o mais nobre dos sentimentos eternizados nos versos dos poetas e grandes pensadores. 

E que o simples gesto de ofertar uma flor tenha ainda o deslumbre e acenda a chama do amor! E como diz essa velha e bela canção, composição de Osmar Navarro, e Interpretação de Nilton César:
“No dia consagrado aos namorados
Sairemos abraçados por aí a passear
Um dia no futuro então casados
Mas eternos namorados
Flores lindas eu ainda vou lhe dar”

E para fechar essa crônica do dia dos namorados, fiquem ainda com esse clássico de Vinicius de Morais:

“De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

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